2012: um ano perdido para o povo ribamarense

Por Arnaldo Colaço

Arnaldo Colaço

O ano de 2012 foi marcado pela possibilidade de mudança em todo pais, todos os cidadãos de norte a sul tiveram a oportunidade de decidir pelas propostas apresentadas pelos diversos candidatos a prefeitos em todas as cidades brasileiras. A mudança norteou o sentimento do eleitorado e o comando da maioria dos municípios foram trocados pela força de novas ideias e práticas administrativas.

Em São José de Ribamar prevaleceu o sentimento da continuidade e o atual prefeito(Gil Cutrim) conseguisse reeleger com o apoio da maioria dos eleitores ribamarenses. Ele consolidou a sua reeleição prometendo a manutenção de um “suposto” bom modelo de gestão desenvolvido nos últimos anos em São José de Ribamar e que possui ancoramento na implantação do modelo de escola em tempo integral, no pagamento do 14º salário para os professores, no asfaltamento de algumas vias de acesso aos bairros e na realização das atividades culturais e festivas que são tradição em nossa cidade. Essas iniciativas, aliado ao poderio de comunicação do grupo, foram suficientes para garantir a liderança do Grupo Luis Fernando/Gil Cutrim nos últimos anos.

Depois de passada as eleições e com a chegada do final do ano é possível fazermos uma avaliação dos dois anos de gestão do atual prefeito e traçarmos indicativos para os próximos anos em nossa cidade. Em 2012 ocorreram vários acontecimentos que indicam o inicio do esgotamento do modelo de gestão implantado pelo grupo que governa a cidade. Mas para reforçar nossos argumentos, frisamos que o prefeito Gil Cutrim possui o apoio do Governo do Estado, de grande parte do Governo Federal, do Legislativo Estadual e da Corte de Contas. Assim, qualquer avaliação recai sobre a competência político-administrativa pessoal do prefeito e sua equipe que “em tese” possuem o apoio que precisam para conduzir uma cidade do porte de São José de Ribamar com sucesso, se não o fazem é por pura ausência de competência administrativa para cuidar dos destinos do povo . Entretanto, a despeito dos fatos a seguir expostos, descobriremos que a atual gestão de nossa cidade anda mal das pernas.

Sem obras de grande vulto para apresentar à cidade, exceto o asfaltamento de uma pequena quantidade de ruas  e a praça da Bíblia que foram obras de Luís Fernando  através de convênio com o  governo do Estado, o ano de 2012 foi marcado por medidas negativas para a gestão de Gil Cutrim. Neste ano, o Festival do Peixe Pedra não foi realizado, a corrida de canoa do bairro São Raimundo também não foi realizada, o tradicional desfile do dia de 7 de Setembro foi desmarcado, os fornecedores da prefeitura estão amargando demoras insuportáveis para receberem pelo serviços prestados à prefeitura, nesse caso, muitas empresas estão com a ameaça de fecharem as portas; algumas secretarias tiveram a internet cortada por falta de pagamento, os telefones foram cortados para ligações para celulares e interurbanos. Muitas brincadeiras que se apresentaram no mês de junho tiveram que esperar  o mês de dezembro para receberem seus cachês, acumulando enormes frustrações e no final do ano a cidade ficou submetida a mais de um mês com a coleta de lixo sem funcionar,  falta de água em mais de 30 bairros da cidade e absoluta maioria das ruas e avenidas da cidade estão esburacadas.

Para completar o ano e sem grande explicações, o prefeito anunciou que o município estava enfrentando grave crise financeira em decorrência da redução do repasse do Fundo de Participação dos Municípios(FPM) e anunciou uma serie de medidas direcionadas aos servidores da prefeitura para reduzir gastos com pessoal. No conjunto das medidas, dezenas de comissionados foram demitidos, os salários dos guardas municipais foram reduzidos com a retiradas das dobras de salário que era pago há mais de três anos, para alguns funcionários, a perda chegou a 900,00(novecentos reais). Dos mais de 200(duzentos) trabalhadores da LIMPEL uma parte significativa foi demita. Para completar, o 14º salário dos professores que sempre foi grande símbolo das gestão de Luis Fernando/Gil Cutrim não foi pago em 2012. Por não apresentar justificativa plausível para o corte do 14º uma vez que o FUNDEB, que paga os salários dos professores, teve superávit de arrecadação em quase três milhões de reais em relação à previsão orçamentária de 2012, Gil Cutrim enfrentou cinco dias de greve dos docentes que teve forte repercussão na cidade.

Por último, o prefeito decidiu não isentar do pagamento do ITBI(imposto sobre a transferência de imóveis) os beneficiários do Programa Minha Casa, Minha Vida em São José de Ribamar. Todos estão sendo obrigados a pagar uma de quantia de 1230,00 (um mil, duzentos e trinta reais), o que está forçando muitas famílias a passarem a chave do imóvel para terceiros e o sonho da casa própria está virando pesadelo. Segundo fontes ligadas à Caixa Econômica Federal, o Prefeito Gil Cutrim é o único do Brasil que resolveu cobrar esses tributos das famílias pobres que foram sorteadas com os imóveis do Programa do Governo Federal que é destinado para famílias de baixa renda.

Sem justificativas para dá à população das falhas administrativas à frente da prefeitura, a equipe de comunicação do prefeito tenta passar a ideia de que o grande culpado é o Governo Federal que provocou a redução no FPM dos municípios. De fato o FPM teve uma pequena redução, mas não o suficiente para tanto. Entretanto, o que dizer do corte do 14º salários dos professores que é pago pelo FUNDEB e não houve redução e sim aumento? Será que faltou planejamento ou o prefeito tomou a decisão política de não pagar o beneficio?O que dizer da cobrança de 1230,00 (um mil, duzentos e trinta reais) das famílias pobres sorteadas no Programa Minha Casa Minha Vida? Por que será que o prefeito de São José de Ribamar é o único do Brasil que está fazendo isso?

 Diante de tudo isso, a conclusão lógica é de que a nossa cidade está sendo administrada por um grupo que não se importa com os verdadeiros problemas de nossa cidade, que são  a falta de água na maioria dos bairros, a falta de oportunidades para a juventude, a quase inexistente geração de emprego na cidade, a saúde que não funciona, as ruas esburacadas, a violência que campeia na cidade,  enfim a nossa querida São José de Ribamar está sendo governada com os olhos de quem tem, de quem pode,  quando devera ser administrada pela lógica que quem não tem. Se assim fosse, seria lógico para o prefeito que salário do trabalhador é sagrado, que as famílias do Minha Casa Minha Vida não podem dispor de 1.230,00 reais sem prejuízo do sustento de sua família.Para esse grupo apenas o Poder interessa e mais nada.

Mas, nem tudo foi negativo em 2012 . Nós presenciamos uma crescente massa crítica  que está se manifestando, principalmente pela internet para exigir políticas públicas de qualidade para os gestores públicos de nossa cidade; presenciamos o professores saírem às ruas para defenderem seus direitos, nós presenciamos uma posição que se manifesta a cerca dos problemas da cidade. Dessa forma, 2013 promete muito para os ribamarenses, será um ano agitado e cheio de surpresas. Só uma coisa nós temos fugir de concluir: 2012 foi um ano perdido para o povo ribamarense.

* ARNALDO COLAÇO é advogado, funcionário público, candidato a prefeito nas ultimas eleições pelo PSB em São José de Ribamar e é assessor jurídico do Dep. Estadual Bira do Pindaré.  FACEBOOK: Arnaldo Colaço. E-mail: colacopsb40@hotmail.com