Aluno esmurra professor. Virou moda foi??

Profº Henrique Vírinio Foto: Bernardo Soares / Jornal do Commércio

O professor de história Henrique Virgínio de Souza, de 28 anos, deveria estar aproveitando o recesso escolar desde o último dia 30. Mas, assim como outros docentes, ainda apresentava pendências na entrega das cadernetas com as notas finais dos alunos. Precisou de mais uma semana para concluir os trabalhos. Na última quinta, contava as horas para fechar o ano letivo e começar as férias ao lado da mulher e da única filha. A contagem precisou ser interrompida.

O professor foi agredido com dois tapas nas costas e um soco no olho direito por um aluno que havia sido reprovado. Também sofreu ameaças. O episódio aconteceu na Escola Estadual Poeta Manoel Bandeira, na Ilha do Leite.
As agressões física e verbal começaram após o estudante do 3° ano do ensino médio Emaxuel Robson Coutinho dos Passos, 24, ter descoberto que foi reprovado em quatro matérias, entre elas a de história. ´Estava sentado, ao lado de outros seis professores. Senti dois tapas fortes das costas e, quando virei para olhar quem tinha sido, levei um soco`.

No momento da ação, não havia nenhum tipo de segurança na instituição de ensino. Segundo Henrique, a patrulha escolar só começa no turno da tarde. Segundo a diretora adjunta da instituição de ensino, Mérita de Cássia, ´nunca havia acontecido nada parecido na escola`.

A ocorrência contra o estudante foi registrada na Delegacia de Joana Bezerra. A polícia esteve duas vezes na casa do suspeito, no Coque, mas ele não foi encontrado. De acordo com o delegado Alberto Barros, a mãe dele prometeu levá-lo à delegacia na próxima segunda-feira.

O professor fez exame no IML. Na manhã de ontem, ele solicitou transferência da escola. Por meio de nota, a assessoria da Secretaria Estadual de Educação informou que a Gerência Regional de Educação Recife Norte vai atender o pedido.

A Gerência Regional de Educação Recife Norte (GRE) afirma que vai reunir o Conselho Escolar, os pais de Emaxwel e o estudante para “analisar o caso e tomar as medidas cabíveis (…), ressaltando que a escola é um ambiente de aprendizagem e não de punição”.
Entrevista – Henrique Souza
Como Emaxuel Robson era na sala de aula?

Faltava muito. Ele sempre queria sair mais cedo, dizia que tinha alguma coisa para fazer. Não fazia as provas. Ficava isolado dos outros alunos. Antes das férias, eu disse que ele estava reprovado, mas ele, em tom irônico, afirmou que eu iria passá-lo. Depois que ele me agrediu, funcionários gritaram para que o portão fosse fechado e ele não fugisse, mas ele correu e fez ameaças.

Por que o senhor decidiu pedir transferência?

Trabalho como professor há sete anos. Quatro deles na rede estadual. Agressão verbal é comum. Quase toda semana. No entanto, nunca havia passado por uma situação dessas. Passei quatro anos numa universidade para ficar desse jeito? Depois do que aconteceu em Minas Gerais, quando um professor morreu esfaqueado pelo aluno, pensei que pudesse ser a próxima vítima. Se ele estivesse armado, eu teria virado uma estatística. Hoje me sinto refém do medo.