Argentina vence Holanda nos pênaltis e revive finais de 86 e 90 contra a Alemanha

O Estado de São Paulo

Argentina 2

Sergio Romero defendeu os pênaltis de Ron Vlaar e Wesley Sneijder. Foto: AFP

O goleiro Romero manteve vivo o sonho coletivo de 40 milhões de argentinos de repetir a conquista da Copa de 1986. Na decisão por pênaltis, ele fez duas defesas nos chutes de Vlaar e Sneijder e a Argentina venceu a Holanda por 4 a 2 na semifinal na Arena Corinthians e vai decidir a Copa , domingo, contra a Alemanha , no Maracanã. Os argentinos não desperdiçaram nenhuma cobrança. A Holanda disputará o terceiro lugar contra o Brasil, sábado. Romero foi o herói de uma semifinal tensa, amarrada, com raras chances de gol, o oposto de Alemanha e Brasil.

Desde o início, foi um jogo de estudo, esquema tático e paciência. Tal qual nas grandes batalhas, cada metro conquistado podia ser comemorado. E a posse da bola valia mais do que tudo para os argentinos. Mascherano, Biglia e Enzo tocavam de pé em pé, sem chutões, sempre matutando a melhor jogada.

Higuaín, que fazia boa movimentação, desencavou um grande passe para Enzo Perez. Falta. Na cobrança, o goleiro Cillessen anteviu as intenções de Messi e defendeu com segurança aos 14 minutos. Estádio frustrado. O escanteio que Garay cabeceou para fora minutos depois foi ainda mais perigoso.

A ratoeira da Holanda estava armada. Time matreiro, que espera uma bola para armar o contra-ataque, a jogada repetida durante toda a Copa, mas que é praticamente impossível de ser anulada.

A Argentina conseguiu se precaver com Enzo avançado, sempre marcando quando os zagueiros e volantes levantavam a cabeça para lançar. Sem espaço para soltar ou desatarraxar a ratoeira – Robben só conseguiu uma arrancada o jogo todo -, a Holanda começou a cruzar bolas na área no final do primeiro tempo. Levou perigo com três cruzamentos seguidos que exigiram saídas do goleiro Romero.

O técnico Louis Van Gaal armou uma pequena surpresa no meio. Escalou o volante De Jong que, segundo os holandeses, não teria mais condições de jogar o Mundial por causa de uma lesão muscular. A manobra mostrou que a Copa também é espaço para a informação e a contrainformação.

Mesmo quando o estádio espichava o pescoço para espiar Messi, acabou frustrado. Nem o jogador eleito quatro vezes o melhor conseguiu adicionar poesia a um jogo pragmático. O craque argentino voltou a repetir aquela atuação tática, voltada para ocupar os espaços e mantendo a posse de bola. A melhor chance que teve foi aquela falta.

Muito equilíbrio, muita briga pelo meio de campo e poucas chances reais de gol. Essa queda de braços no meio-campo ficou clara nas estatísticas do início do segundo tempo: 50% de posse de bola para cada lado.

A paciência da torcida com esse jogo sem riscos acabou no final do primeiro tempo, e vieram as vaias.

Para o torcedor, jogo tático pode ser entendido como burocrático. O medo de errar e de perder a bola na entrada da área fez com as equipes não arriscassem. Cada jogador pensava quinze vezes antes de passar. Aí, o jogo ficava lento e previsível. Faltaram dinamismo e objetividade.

A melhor chance de gol saiu aos 30 minutos do segundo tempo. Após um passe de Enzo, Higuaín finalizou na rede do lado de fora. O fastio com o jogo era tão grande que metade do estádio comemorou gol.

O técnico Alejandro Sabella mostrou que também estava insatisfeito. Colocou o time à frente com Palacio e Lavezzi no lugar de Enzo e Higuaín. Desgastada por fazer quatro dos últimos cinco jogos às 13 horas, não queria esperar a prorrogação.

O jogo ficou mais aberto e Robben finalmente conseguiu arrancar aos 44. Ele avançou no meio e, no momento do arremate, Mascherano tirou o doce. O lance foi símbolo da atuação excelente do ex-corintiano. Com esse predomínio dos defensores, o jogo só poderia ser 0 a 0.

Embora igualmente tensa, a prorrogação foi mais movimentada. Palacio tomou a decisão errada aos 9 e Maxi pegou mal na bola aos 11, depois de grande jogada de Messi. Nos pênaltis, o goleiro Romero manteve vivo o sonho do tricampeonato.

FICHA TÉCNICA

HOLANDA 0 (2) x (4) 0 ARGENTINA

HOLANDA – Cillessen; Kuyt, Vlaar, De Vrij, Martins Indi (Janmaat) e Blind; De Jong (Clasie), Wijnaldum e Sneijder; Robben e Van Persie (Huntelaar). Técnico: Louis van Gaal.

ARGENTINA – Romero; Zabaleta, Demichelis, Garay e Rojo; Mascherano, Biglia e Enzo Pérez (Palacio); Lavezzi (Maxi Rodríguez), Messi e Higuaín (Agüero). Técnico: Alejandro Sabella.

CARTÕES AMARELOS – Martins Indi e Huntelaar (Holanda); Demichelis (Argentina).

ÁRBITRO – Cuneyt Cakir (Fifa/Turquia).

RENDA – Não disponível.

PÚBLICO – 63.267 pessoas.

LOCAL – Arena Corinthians, em São Paulo (SP).

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