Chile elimina a Espanha e vai às oitavas

Folha de São Paulo

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O espanhol Iker Casillas falha na defesa e leva o 2º gol na partida contra o Chile

Foi o nocaute mais rápido já sofrido por um campeão mundial de futebol desde 1950.

Derrotada por 2 a 0 pelo Chile nesta quarta (18) no Maracanã, a Espanha está fora da Copa.

Desde 1950, nunca um campeão havia sido eliminado já na segunda partida da Copa do Mundo seguinte.

Depois da primeira Copa no Brasil, outras equipes que tombaram na primeira fase ao defender um título mundial pelo menos resistiram um pouco mais do que os espanhóis, caindo apenas na terceira partida –foi o caso do Brasil em 1966, da França em 2002 e da Itália em 2010.

Antes, a Itália foi quem sofreu a pior eliminação. Doze anos após a conquista do bi, a equipe perdeu na estreia para a Suécia por 3 a 2. Em seguida, os suecos empataram com o Paraguai, o que já provocou a eliminação italiana, que só enfrentou os paraguaios para cumprir tabela. Na ocasião, a primeira fase era formada por apenas três países, e o time italiano que veio ao Brasil não tinha nada a ver com o que havia ganhado o Mundial –por causa da 2ª Guerra, a Copa ficou interrompida por 12 anos.

FIM DE UMA ERA

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Charles Aranguiz comemora ao marcar o 2º gol do Chile na partida

A derrota desta quarta e a goleada por 5 a 1 diante da Holanda põem fim à formação mais vitoriosa do futebol espanhol. Além da Copa de 2010, essa seleção venceu também as duas últimas Eurocopas, em 2008 e 2012.

Com seis pontos, Holanda e Chile estão classificados para a segunda fase e definirão em confronto direto na próxima segunda (23) quem é o primeiro colocado do grupo. Os holandeses jogam pelo empate. Caso o Brasil se classifique para a segunda fase, enfrentará um desses dois times.

Num Maracanã tomado pelo vermelho das duas seleções, a Espanha teve a primazia da cor no gramado (os chilenos jogaram de branco), mas claramente perdeu na arquibancada, onde a maioria das 74 mil pessoas se mostrou pró-Chile desde o início.

A loucura da torcida chilena foi tamanha que um grupo de 90 pessoas invadiu a sala de imprensa do Maracanã e acabou detido; alguns deles chegaram até a arquibancada.

Em campo, o time foi bem mais comedido do que sua torcida. O Chile armou um esquema de três zagueiros. Tirou o meia Valdívia, do Palmeiras, e colocou Francisco Silva para reforçar a defesa.

Na Espanha, dois dos jogadores mais criticados após a estreia foram barrados: Piqué e Xavi, substituídos por Javi Martínez e Pedro.

Apesar do esquema defensivo, o Chile chegou ao primeiro gol logo aos 20min, com Vargas, evidenciando a desorientação espanhola.

No reinício do jogo, enquanto Iniesta tentava gesticular para o time, pedindo ânimo, a zaga se armava com cada um andando para um lado (Javí Martínez andava para trás, e Sérgio Ramos e Azpilicueta, para frente).

Já o segundo gol, de Aránguiz, também no primeiro tempo (43 min), expôs outro dos pilares do time esapanhol: o goleiro Casillas, que rebateu mal uma cobrança de falta. Após uma péssima estreia, o capitão do time voltou a falhar justamente no dia em que se tornou o espanhol com mais partidas em Copas (17), superando outro goleiro, Zubizarreta.

Além de gritar “eliminado” várias vezes, a torcida no Maracanã ofendeu o atacante Diego Costa, brasileiro naturalizado espanhol, nos dois tempos do jogo. Ele tomou uma grande vaia ao ser substituído por Fernando Torres.

O técnico Vicente del Bosque tentou reverter a derrota colocando Koke no lugar de Xabi Alonso. Nem assim conseguiu ressuscitar o tique-taque que havia levado os espanhóis ao título mundial. O time foi mal também nas finalizações: o volante Busquets desperdiçou um gol sozinho dentro da pequena área, após bicicleta de Diego Costa.

Foi a primeira vez que Del Bosque perdeu duas partidas seguidas desde assumiu o comando da mais vitoriosa geração espanhola, em 2008.

A goleada diante da Holanda e eliminação por mãos chilenas aumentam a lista de tombos da Espanha no Brasil. Dois outros aconteceram também no Maracanã: um 1×6 para o Brasil na Copa de 1950 e o 0x3 na final da Copa das Confederações, também diante do Brasil, no ano passado.

A última campeã mundial se despede da Copa na próxima segunda (23) em Curitiba, contra a Austrália, em jogo de dois times que perderam suas partidas.

Depois disso, os espanhóis devem começar um processo que evitaram após a Copa de 2010: renovar o time. Nunca um campeão mundial havia trazidos tantos remanescentes para defender o título (16 dos 23 convocados).

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