Conheça a trajetória de vida de Wellington do Curso

Blog do Neto Cruz

Wellington do Curso 2014

Nascido no dia 27 de setembro de 1970, Wellington teve uma vida difícil. Tudo estava muito longe daquilo que ele sonhava para seu futuro. A família de muitos filhos era também muito pobre. Assim como os cinco irmãos, ele iniciou e concluiu os estudos em escolas públicas. O pai abandonou a casa quando ele completara 7 meses de vida. A mãe fazia o que podia para sustentar os filhos, mas teve de “entregar” dois deles para que não morressem de fome.

Como tudo era árduo, Wellington “arregaçou as mangas” para trabalhar, aos 14 anos. Seu primeiro emprego foi como empacotador de caixa de supermercado. Depois, fez um “bico” em um motel, trabalhando como camareiro e porteiro. Na época, passou a morar em diferentes lugares, com parentes e amigos da família, porque a mãe não tinha condições de sustentar todos. Na verdade, foi criado pela avó.

Aos 16 anos, tornou-se vendedor de frutas. O ofício era injusto para um adolescente no auge de sua juventude: com a ajuda do irmão José Carlos, ele acordava rigorosamente com o cantar do galo, às 4h, e partia rumo à Ceasa. Lá, comprava a mercadoria e ia vendê-la em frente ao Armazém Paraíba de Teresina. Por volta das 18h, guardava a mercadoria e seguia para a Escola Técnica Federal, onde, mesmo com dificuldades, conseguira ser aprovado para o curso de Edificações.

“Foi a glória para um membro de uma família na qual ninguém conseguia terminar o 2º grau. Era muito difícil”, recorda.

Exército 

Quando completou 17 anos, Wellington, mesmo a contragosto, teve de se alistar nas Forças Armadas e foi aceito pelo Exército. Em 1989, a vida do jovem daria um salto que nem ele mesmo imaginava. Sempre muito esforçado, disciplinado e dedicado, encarou um concurso público para sargento do Exército e foi aprovado. “Foi o dia mais feliz da minha vida. Era aniversário da minha mãe e cheguei até ela e disse: a partir de agora, a nossa vida vai mudar”, conta.

E ele estava certo. A aprovação no concurso o levou para Três Corações, em Minas Gerais, onde concluiria o Curso de Formação de Sargento. Depois, teve de escolher entre as cidades de Salvador, Maceió e São Luís, mas preferiu a Ilha do Amor.

À beira dos 20 anos, com o que já estava ganhando no curso de Formação de Sargento, pode ajudar mais a família e finalmente começaria a realizar seus sonhos. Comprou o primeiro brinquedo de toda a sua vida: um videogame. “Nunca tive brinquedos. Fui uma criança sem infância”, recorda. Até àquela idade, Wellington também nunca havia provado um pedaço de pizza.

Enquanto sargento do Exército, foi monitor e instrutor do curso para cabo e sargento temporário e, por sua competência e honestidade, foi indicado a um cargo de confiança da corporação. “Como sempre fui muito atencioso, prestativo, cumpridor de horários e respeitador da hierarquia, trabalhei no serviço de inteligência do Exército, no qual passei nove anos e seis meses”, diz.

Às Forças Armadas, Wellington dedicou 15 anos de sua vida, sempre ajudando a família. No ofício, aprendeu a ser ainda mais disciplinado e determinado. Em resumo: o Exército deu a ele ainda mais força de vontade. Ex-sargento formou-se em Pedagogia e Teologia.

Filho de Iracema de Castro Bezerra, Carlos Wellington de Castro Bezerra, 43 anos, prefere não mencionar o nome do pai, que abandonou a família quando ele contava apenas 7 meses de vida. O reencontro aconteceu quando ele tinha 23, mas fora por pura curiosidade, já que o pai, para o empresário, é aquele que cria.

Os irmãos de Wellington, Irene, Francisca, José Carlos, Francilene e Alberto, conseguiram vencer na vida com a ajuda dele, na época em que as coisas começaram a mudar. José Carlos tornou-se engenheiro, Alberto é sargento da Aeronáutica e Francilene, arquiteta.

Inteligente, comunicativo e simpático, ele é também um homem de fibra. Cristão, gosta de frases bíblicas e tem uma legião de fãs no site de relacionamento facebook, que sempre está atualizado. Sem esconder sua origem humilde, não mede as palavras quando conta aos alunos sobre seu passado de dificuldades.

Chama 

O incentivo é sua marca registrada. Volta e meia, ele trafega pelos corredores do curso, sempre apressando os alunos para as salas de aula, pois compreende as suas incertezas e sabe que é preciso botar “lenha na fogueira para que a chama não se apague”.

Depois que deixou a Escola Técnica, Wellington chegou a fazer curso superior e conseguiu formar-se em Pedagogia e Teologia, com especialização em Pedagogia Teológica. Começou a fazer o curso de Direito, mas parou no 4º período por falta de tempo. “Fiz Teologia porque passei a ter curiosidade em compreender melhor a religião e assim me aproximar mais de Deus. Sou cristão e gosto de ir à igreja”, revela. Cumpridor de horários, o professor acorda por volta das 7h e vai direto para o curso. De lá, sai depois das 11h. Seu lazer está associado às saídas à praia, restaurantes, cinema, aos encontros com os amigos.

Luta

Curioso, gosta de ler revistas, jornais, livros e adora viajar. Seus planos estão relacionados à sua vontade de continuar aprovando seus alunos nos concursos, afinal, como ele mesmo diz, “foram anos de muita luta para transformar o Curso Wellington em marca de credibilidade”. “Fizemos muitas campanhas e abraçamos a causa para mostrar que podemos fazer sempre melhor”, afirma.

Quando perguntado sobre sua missão como profissional, Wellington tem a resposta na ponta da língua: “Sou um realizador de sonhos e prefiro as lágrimas da derrota à vergonha de não ter lutado. E me considero realizado, porque sou um jovem empreendedor de origem humilde que não baixou e não baixa a cabeça para as dificuldades e adversidades. É preciso continuar a caminhada e mostrar para as pessoas que elas podem vencer ”, finaliza.

Coragem para perseguir o sonho

Em 1995, Carlos Wellington teve uma grande idéia. Entusiasmado com a profissão e vislumbrando incentivar as pessoas em direção a algo em que ele acreditava piamente, criou coragem para investir em um negócio próprio. Era o início de uma nova etapa na vida do ex-vendedor de frutas, que mais tarde se tornaria empresário.

O sargento não pensou duas vezes: com a “cara e a coragem”, abriu um curso preparatório para concurso público do Exército e Aeronáutica, aproveitando a experiência adquirida nas Forças Armadas. Chamava-se Curso do Sargento Wellington e o prédio ficava localizado sobre uma agência do Banco do Brasil, no bairro João Paulo. Havia apenas três alunos, mas a empolgação era grande.

Persistente, ele transferiu o curso para outro prédio, em frente à Escola São Vicente de Paulo, e depois passou a ministrar aulas em frente à loja Só Sucesso, também no João Paulo. Mas o professor ainda não estava satisfeito. Sempre que passava de ônibus pelo bairro Monte Castelo “namorava” uma residência abandonada com uma placa de venda.

Um dia, ele teve um impulso e tomou uma decisão. “Decidi vender tudo o que eu tinha para dar entrada na casa, inclusive o apartamento que havia comprado na Forquilha, televisão, vídeo cassete, celular, geladeira, tudo. Aí eu dei a entrada e financiei o restante pela Caixa Econômica. Ninguém me ajudou, pois não tinha nem amigo para pedir emprestado”, recorda.

Curso 

O sonho de Wellington tornava-se real à medida que a casa abandonada transformava-se no Curso Wellington. Quase ninguém sabia, mas o professor passou a morar dentro do prédio em construção, enquanto os irmãos se acomodavam num cubículo no bairro Apeadouro. Em meio a tijolos, areia, madeira e tinta, ele seguia em frente, sempre alegre, falante e de cabeça erguida.

“Sabia que aquele curso vingaria, pois precisava mostrar às pessoas que o concurso público é uma oportunidade democrática para todo mundo. Hoje, eu ministro palestras sobre a minha vida e sobre a importância dos concursos. Mas foi um período tumultuado, porque era difícil e muito caro”, diz.

Wellington conta que foram os próprios alunos quem o ajudaram na mudança de prédio. “Eles carregaram as cadeiras na cabeça no dia da mudança e não se importavam de assistirem aulas enquanto os operários trabalhavam na obra. Era uma correria. Às vezes, eu nem almoçava”, relembra.

Em 1998, o empresário decidiu ampliar o negócio e abriu turmas para outros concursos públicos. Durante a fundação do Curso, Wellington pôde contar com a ajuda dos professores Alessandro Maia e Maria de Lourdes . Juntos, eles se esforçaram para mudar a mentalidade dos maranhenses com relação às vantagens dos concursos públicos. “Antes, as pessoas somente estudavam quando saíam os editais dos concursos e nós sabíamos que a coisa não era bem assim. Para você passar num concurso é preciso se preparar bem, com antecedência”, recomenda. É por isso que, todos os dias, Wellington circula de sala em sala no curso, estimulando os alunos a estudarem cada vez mais e a não desistirem da caminhada, assim como ele não desistiu.

Política

Wellington do Curso foi candidato a Deputado Federal no ano de 2010 pelo Partido Social Liberal (PSL), obtendo mais de 23 mil votos. Em 2012, ainda no PSL, Wellington foi injustiçado e covardemente impedido de concorrer ao cargo de Vereador em São Luís. Pela primeira vez é candidato a Deputado Estadual, agora pelo Partido Popular Socialista (PPS), com o número 23.123. O lema usado por Wellington é: Eu acredito! #Um jeito novo de fazer política.