Em Paraibano (MA), alunos vão para a escola em caminhão pau de arara

O problema se arrasta há décadas e piorou depois que a ex-prefeita Aparecida (PDT) deixou a frota de ônibus escolares sucateada. A bomba caiu no colo do atual prefeito Zé Hélio (PT).

Estudantes de Paraibano (MA) procuraram o blog do Hilton Franco para fazer uma denúncia da situação precária do transporte escolar no município.

Vamos lá.

Os estudantes que moram nos povoados Jatobá, Cana Brava, Terra Vermelha e Papa Feijão, na zona rural do município de Paraibano (MA) estão sendo levados para a escola em um caminhão aberto conhecido popularmente como ‘pau de arara’.

Segundo relato de um estudante, o ônibus escolar foi tirado e colocado um ‘pau de arara’. São 54 estudantes que estão sendo transportados feito bois espremidos em um caminhão F 4000.

‘Eu fui dia 30 de março na secretaria de educação reclamar, mas a Doralina (secretária de educação) não quis falar comigo. Ela já sabe que vou lá para pedir o ônibus’, conta o estudante.

O veículo transporta as crianças e adolescentes que moram em povoados com até 20 km de distancia da escola. No caminhão, eles seguem em condições precárias até as escolas Adonias Lacerda, Epitácio Pessoa e João Furtado. Na maioria das vezes viajam de maneira improvisada, amontoados em bancos construídos com madeira estreita. Alguns viajam em pé.

‘Nós chegamos na escola todo sujo e molhado. Nós chegamos muito cansados. Quando nós chegamos na escola, todo mundo fica sorrindo de nós. Passamos a maior vergonha todo dia. E eles (outros alunos) ainda fica tirando foto nossa para zombar’, relatou o aluno.

Com transporte precário, os estudantes correm sério risco de vida.

Vereadores nada fazem

Segundo os estudantes, os vereadores mais votados nos povoados Jatobá, Cana Brava, Terra Vermelha e Papa Feijão foram Ricardo Campos (PEN), Ricardo Xavier (PT), Nilton Pitó (PSB), Elizângela (PSB) e Lucimar (SD), entretanto nada fazem para ajudar a resolver o problema.

‘Eles (vereadores) só ajudam as famílias deles’, disse um estudante.

Os estudantes disseram que vão ocupar a  Câmara Municipal nesta segunda-feira (3) para protestar.

Ex-prefeita Aparecida deixou frota sucateada

A ex-prefeita Aparecida (PDT) deixou a frota de ônibus escolares completamente sucateada.

Segundo levantamento feito pelo governo Zé Hélio (PT), no mês de janeiro, os 10 ônibus de transporte escolar estavam sem condições de uso.

Os veículos foram entregues sem baterias, pneus carecas, sem estepes, sem para-brisas, com problemas nas instalações, cadeiras estofadas com rasgões, faróis e lanternas quebradas, sem placa, vidros das janelas quebrados e outra irregularidades.

Durante a gestão desastrosa da ex-prefeita, Paraibano recebeu R$ 204.597,88  do Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (Pnate).

Mesmo com tanto dinheiro, a ex-prefeita deixou os ônibus em péssimo estado.

Aluno morto em 25/06/ 2009 em pau de arara em Paraibano

No ano de 2009, um aluno de 16 anos, A. N. C morreu por causa dessa situação.

Na época, o motorista (menor de idade) foi desviar de uma cobra e com a manobra brusca o aluno caiu do carro. Com a queda, o aluno teve traumatismo e morreu de parada respiratória no local.

O fato aconteceu no trajeto entre o povoado Miroró e  Tabulerão, zona rural do município.

Por conta disso, o município de Paraibano foi condenado em 2011 a pagar a cada um dos autores ( pai A. C. B. C e mãe S. C. A), a título de danos morais, o valor de R$ 67.800,00 (sessenta e sete mil e oitocentos reais), valor a ser corrigido pelo IGP-M a contar da data da sentença (15/10/2013),  e com a incidência de juros moratórios de 1% ao mês, contados do ilícito.

O município de Paraibano também foi condenado a pagar pensão mensal no valor equivalente a 2/3 do salário mínimo, rateado em partes iguais entre os autores, a partir do evento danoso, qual seja, 25/06/2009, até a data em que a vítima completaria 25 anos, sendo posteriormente reduzida a 1/3 deste valor e computada até a data em que o ‘de cujus’ completasse 65 anos, acrescido de juros de mora de 1% desde a citação, e corrigido monetariamente pelo IGP-M desde o vencimento de cada parcela.

O município ainda foi condenado a pagar os honorários advocatícios no valor de R$ 8.000,00 (oito mil reais).