Fora de cena há 10 anos, Belchior deixou dívidas que só aumentam

Estadão

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Belchior em 1977: sem dinheiro no banco

Jorge Mello, ex-sócio e parceiro musical de Belchior, lembra com carinho da última vez que se encontrou pessoalmente com o amigo. Foi em setembro de 2006, em sua casa, no extremo sul de São Paulo. Bel, como ele carinhosamente o chama, chegou de surpresa naquela gélida manhã de quarta-feira, por volta das 9h30. Conversaram por horas e viraram a madrugada. O músico, já com problemas financeiros, revelou a vontade de morar mais próximo de Jorge. A ideia era transferir os dois estúdios que tinha para a região de Interlagos. Ele, de alguma forma, se sentia sozinho. Queria estar junto das pessoas que amava. Jorge parecia a melhor opção para aquele momento. “Quando ele foi embora, ficou acertado que um arquiteto viria até aqui. Achei maravilhosa a ideia de alugar o espaço para o Belchior. Poucos dias depois, o empresário dele me ligou. Disse que o Bel não tinha comparecido a um show em Minas Gerais”, lembra o ex-sócio e amigo.

Alguns meses se passaram quando Jorge Mello atendeu o telefone de casa. Era Ângela, então mulher de Belchior. Ela afirmou ao amigo que o cantor e compositor não aparecia em casa há alguns meses. Ângela ainda pediu dinheiro a Jorge para pagar o convênio médico da filha do casal. “Liguei para a família dele em Fortaleza. A mãe, Dona Dolores, disse que tinha muita gente procurando o Belchior e que ela não via o filho há seis meses. Falei para a mulher e a mãe buscarem um advogado. Tinha a questão da pensão alimentícia dos filhos. Os aluguéis dos escritórios também estavam atrasados e os funcionários começaram a me procurar. Foi então que comecei a me preocupar”, lembra Jorge.

Belchior deixou o flat onde morava com a mulher Ângela Margareth Henman Belchior e os dois filhos na zona sul da capital paulista no final de 2006, quando os problemas financeiros ficaram mais intensos. Ele também abandonou os dois carros. O Sonata Hyundai branco, deixado no Aeroporto de Congonhas, continua no mesmo local. O Estado tentou ver o veículo, mas, por causa de processos judiciais, não conseguiu ter acesso a ele, que agora se encontra numa área reservada. Segundo levantamento feito pela reportagem, as dívidas com a administradora SAO Parking ultrapassam o valor de R$ 200 mil. O outro carro, uma Mercedes, abandonado em um estacionamento próximo ao seu apartamento, foi localizado no pátio Presidente Wilson. O veículo está no local desde o dia 24 de junho de 2011 e soma, aproximadamente, R$ 3 mil em multas. Já com o estacionamento na zona sul onde ele havia sido deixado, as multas passam de R$ 70 mil.

Atualmente, o valor dos dois carros juntos chega a 26 mil. Portanto, mesmo que Belchior vendesse os veículos, ele quitaria apenas 9% da dívida com os dois estacionamentos.

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Por onde anda?

Em agosto de 2009, uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, encontrou o cantor morando com a atual mulher, Edna Assunção de Araújo, em San Gregorio de Palanco, no Uruguai. Na ocasião, ele negou que estivesse desaparecido e se recusou a falar sobre as dívidas que teria deixado no País. Na mesma matéria, Belchior declarou que vivia em São Paulo e também prometeu um disco de inéditas. Depois que conheceu Edna e abandonou tudo na capital paulista, Belchior fez um peregrinação por várias cidades do Sul do Brasil. Em todos os lugares pelos quais passou, deixou dívidas. A mais recente e conhecida foi em 2012 na cidade uruguaia de Artigas, onde deve R$ 30 mil para um hotel.

Pai de quatro filhos, Belchior, que não foi localizado pela reportagem nas últimas duas semanas, tem uma dívida extensa com pensões alimentícias. Em 2013, segundo reportagem da Revista Época, a dívida da pensão com a ex-mulher Ângela, com quem teve dois filhos, somava cerca de R$ 300 mil. Procurada pelo Estado, Ângela não quis dar entrevista. O que se sabe, entretanto, é que ela não tem mais advogados e que a ação já findou com sentença definitiva há 8 anos. Ela, portanto, está divorciada e com patrimônio próprio vindo da partilha de bens. Ainda de acordo com a revista, naquele mesmo ano, a pensão atrasada da filha que morava em São Carlos girava em torno de R$ 90 mil. A família do quarto filho, fruto de um caso com uma estudante de psicologia no Ceará, não acionou a Justiça. Belchior também deixou um flat sem quitar os últimos meses de aluguel. As dívidas com hotéis cobradas na Justiça são extensas, mas, segundo Jorge Mello, elas poderiam ser facilmente sanadas. “Não tenho dúvidas de que um show de comemoração resolveria todos os seus problemas financeiros”, afirma Jorge.

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O carro abandonado por Belchior