Governadora do Maranhão por capricho do pai, Roseana Sarney já começou o jogo rasteiro para 2014

Do Ucho.info

Presidente do Senado Federal até o próximo dia 4 de fevereiro, o caudilho maranhense já anunciou que dentro de dois anos, quando termina seu atual mandato, deixará a política. A justificativa para a decisão, dada pelo próprio senador, é que a idade avançada já o impede de seguir na vida política.

O Brasil agradece, mas é preciso olhar para o Maranhão, o mais miserável dos estados da federação, que durante cinco décadas foi vítima do clã Sarney e de seus aliados, que dominaram a política local apenas para atender os interesses do grupo. Não fosse a força política de José Sarney, um exímio negociador nos imundos bastidores do poder, todos do grupo já estariam presos.

O Maranhão é um estado repleto de riquezas naturais, mas seus habitantes se acostumaram a enfrentar a miséria como se fizesse parte do cotidiano. Esse quadro de letargia política, que existe por conveniência, precisa acabar, sob pena de o estado se transformar em um reduto de criminosa exclusão social.

Roseana Sarney, filha do senador e atual inquilina do Palácio dos Leões, já começa a agir tem as disputas de 2014 no cardápio político. O primeiro rapapé de Roseana em 2013 foi acusar o prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior, que assumiu o cargo de 1º de janeiro, de ser o responsável pelo caos da saúde pública na capital dos maranhenses.

Como se sabe, o governo do Maranhão é um ambiente familiar, pois quem não é da família é amigo de algum dos seus integrantes. O secretário estadual da Saúde, Ricardo Murad, é um incompetente conhecido que só está no cargo porque é cunhado de Roseana e também para não fazer oposição à governadora. Roseana finge desconhecer o caos em que se encontra a saúde pública no estado, porque quando adoece alguém lhe cede um jato executivo e ela aterrissa nos melhores hospitais da capital paulista. Quase que frequentemente Roseana opta pelo Hospital Sírio-Libanês ou o Hospital Israelita Albert Einstein, os dois mais caros do País. Sempre com direito a vistas de amigos e aduladores, que fingem preocupação porque os interesses escusos são maiores.

Roseana e Murad precisam aprender a gerir a saúde pública, que não se resume a construir um hospital que funciona mal, quando funciona. Não é de hoje que o ucho.info denuncia o caos da saúde pública que os Sarney oferecem aos maranhenses. Em casos mais complexos, o paciente é obrigado a buscar tratamento em Teresina, enfrentando uma longa e escaldante viagem em ambulância. Em tempos outros, o ucho.info custeou passagens para que alguns maranhenses, que deveriam ser atendidos pelo governo dos Sarney, pudessem ter o devido tratamento em hospitais particulares da cidade de São Paulo.

Contudo, esses desmandos que são esculpidos diuturnamente pelo grupo da Praia do Calhau já enfrentam resistência, mesmo que ainda não tão ruidosa, pois começa a se formar no Maranhão uma frente popular, com vistas a 2014, cujo objetivo é tirar o estado do atoleiro em que se encontra. Não será tarefa fácil, pois o poderio político-financeiro do clã é forte, mas é algo absolutamente viável e que precisa começar com urgência. E isso depende apenas do desejo da população, que precisa ser alertada para o perigo do continuísmo de uma ditadura que já dura mais de cinquenta anos. Por enquanto Roseana Sarney tem o apoio do PT, que no passado foi um ácido crítico da família, mas alas do partido não rezam pela cartilha da governadora.

Edison Lobão, que seria um possível candidato ao governo estadual, enfrentou sérios problemas de saúde recentemente, obrigando-o a pedir afastamento do Ministério de Minas e Energia, para onde já voltou e à meia carga. O filho, Edinho Lobão, é inexpressivo como senador – é suplente do pai – e conhecido no Maranhão como um playboy rico e mimado, sem experiência e capacidade para a gestão pública.

Roseana Sarney pensa que é a versão de saias de Idi Amin Dadá e que governa Uganda com mão de ferro, mas os frequentadores do Palácio dos Leões, acostumados a desmandos e golpes baixos, não podem ignorar o fim do ditador ugandense.