Governos bancam camarotes VIP e vestiário de mascote

Folha de São Paulo

Prefeituras e governos estaduais estão gastando do próprio bolso R$ 418 milhões em estruturas temporárias para os jogos da Copa.

Segundo levantamento da Folha, a soma inclui equipamentos para escritórios de patrocinadores da Fifa, centros de transmissão de TV, vestiário para mascotes, salas de imprensa e até camarotes e seguranças para o público VIP, além da montagem de todos esses equipamentos.

Somado ao que já foi gasto na Copa das Confederações, as cidades-sedes investiram, até agora, R$ 632 milhões de verba pública nessas estruturas provisórias.

Para efeito de comparação, cada um dos 12 estádios do Mundial custou, em média, R$ 674 milhões.

Inicialmente esse gasto com estrutura temporária deveria ter sido bancado pelo COL (Comitê Organizador Local), subsidiário da Fifa.

Mas aditivos contratuais com as cidades-sedes feitos a partir de 2009 transferiram a conta para as prefeituras e os governos dos Estados.

O próprio COL chegou a dizer, em 2009, por meio do então presidente, Ricardo Teixeira, que a maioria dos gastos do Mundial seria bancada com dinheiro privado.

Agora, o COL afirma que a entrega do evento é uma responsabilidade compartilhada com as sedes, que concordaram com as atribuições.

As estruturas são praticamente as mesmas para todos os estádios. Das 12 cidades, só São Paulo terá esse custo todo bancado pelo Corinthians.

O Rio, palco da final, tem o maior gasto estimado: R$ 67 milhões. O Estado argumenta que “nenhum estádio do mundo atende à forma como a Fifa opera seu evento”, daí a necessidade de montar as estruturas temporárias.

MUITO VIP

Em Belo Horizonte, apenas a montagem dos “lounges” VIP e VVIP (sigla em inglês para “pessoa muito, muito importante”), que inclui a sala dos presidentes da Fifa e do COL, foi orçada em R$ 329 mil. Uma passagem coberta para os convidados VVIPs custará outros R$ 127 mil.

Em Manaus, dos R$ 35 milhões, R$ 5 milhões serão gastos em geradores de energia.

Não são todas as estruturas que serão fornecidas por prefeituras e Estados. Parte ficou a cargo da Fifa e do COL.

Ao poder público coube custear principalmente instalações hidráulicas e elétricas, tendas e estruturas modulares, sonorização, parte do mobiliário, portões e grades.

As cidades argumentam que parte das estruturas ficará para os governos, como raio-X e mobiliário.

Em Manaus, o governo diz que as obras deixarão um legado, como a modernização do sambódromo e melhorias num ginásio de esporte.

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