Hospital de Lago do Junco só funcionou por dois dias depois de inaugurado

Do blog Marrapá

Situada no Médio Mearim, a cidade de Lago do Junco, com aproximadamente 11 mil habitantes, foi contemplada com a instalação de um hospital do “Saúde é Vida” – de 20 leitos e totalmente equipado, ao custo global de R$ 3,536 milhões.

No dia 11 de abril de 2013, a caravana do Governo Itinerante esteve na cidade, inaugurando o hospital que levou 3 anos e meio para ser construído. Segundo os moradores, foi uma ocasião de grande festa; com vários médicos, enfermeiros, mutirão de cirurgia e atendimento hospitalar 24 horas.

“Mas a festa durou apenas dois dias”, afirmou a aposentada Maria da Conceição, moradora do município há 20 anos. “Depois disso, o hospital fechou as portas. Está assim faz quatro meses, com a promessa de que voltará a funcionar na próxima segunda-feira. Toda semana é a mesma desculpa esfarrapada”, denunciou um funcionário público local, que preferiu não se identificar por medo de represálias.

Ex-secretário de Saúde de Lago da Pedra, o diretor do hospital se encontrava nas dependências do prédio e aceitou conversar com a equipe do Blog Marrapá. Osimar Fonseca dos Santos, irmão do prefeito de Lago do Junco, garantiu que está contratando pelo menos dois médicos e treinando o quadro de funcionários responsável pela manutenção da unidade de saúde – todos remanejados do Hospital Municipal Didi Arruda. “Na próxima segunda tudo estará funcionando”, garantiu ele.

A unidade de saúde foi batizada com o nome de Alcyr Alves Arruda e entregue à administração municipal, que não tem condições de financiar o seu funcionamento. Osimar Fonseca, depois de um cálculo rápido, confidenciou ao blog que o hospital precisaria de no mínimo três médicos para começar a funcionar. De acordo com ele, existe uma negociação com a Secretaria de Saúde do Maranhão para garantir um repasse mensal de R$ 60 mil.

“A diária de um médico custa entre R$ 1.800 e R$ 2.000. Com esse dinheiro não garantimos nem três médicos, que é o mínimo necessário para funcionarmos razoavelmente. É como disse um prefeito dia desses: não dá nem para comprar papel higiênico”.

Quando começar a funcionar, o Hospital de Lago do Junco deve realizar atendimentos de atenção básica, com primeiros socorros, consultas, exames e pequenas cirurgias.