O xingamento homofóbico de Jean Willys. Ou: que tal ser Parlamentar com P maiúsculo

Revista Veja

Por Reinaldo Azevedo

O Conselho de Ética da Câmara rejeitou, como se lê abaixo, a representação contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Como? Bolsonaro é uma pessoa de defesa incômoda? Não para quem tem, como este escriba, a Constituição como referência. Processá-lo seria ferir os artigos 5º e 53 da Constituição. Simples assim. Pouco importa se eu ou você gostamos dele ou não.

A Constituição não está aí para que a gente persiga aqueles de quem não gosta, não é mesmo, deputado Jean Wyllys? E só para considerar rapidamente o mérito: restou evidente que Bolsonaro se confundiu ao dar a resposta a Preta Gil — isso não torna a sua fala necessariamente boa, mas esse é outro problema. Ignorar que o deputado é casado com uma mulher que os próprios militantes negros chamariam “negra” é querer condená-lo contra a evidência. No que diz respeito à senadora Marinor Brito, há uma inversão óbvia: foi ela quem agrediu Bolsonaro fisicamente, não o contrário. Adiante.

O deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), dando seqüência à sua sede pelo estrelado, também acha, vejam vocês, que chamar alguém de “veado” é uma ofensa! Não aceitarei que vocês façam isso aqui e cortarei comentários com este teor, já advirto, mas estará apenas fazendo a vontade de Wyllys quem, a partir de agora, o chamar de “o deputado veado Jean Wyllys”. Como deixou claro, ele se orgulha. Se bem que fez uma ressalva: esse orgulho está condicionado ao fato de o outro também ser “veado”. Bolsonaro, que se saiba, é heterossexual. Mas estamos vivendo dias em que os “veados” decidem quem é e quem não é um deles.

Há um paradoxo no destempero da Natalie Lamour da Câmara — referência apenas à sua atração pelos holofotes, não à sua condição sexual ou a seus dons da natureza: se o PLC 122 já tive tivesse sido aprovado, só a imunidade parlamentar livraria o deputado de um processo por homofobia. NOTEM QUE ELE CHAMOU DE “VEADO” UM ADVERSÁRIO POLÍTICO, alguém que visivelmente detesta; apela a uma suposta condição sexual para ofender a outra parte. Não estaria caracterizada a “homofobia”? Alguém diria: “Que absurdo! Jean é que é homossexual; Bolsonaro, não!” Sim, eu sei. Mas quem quer criminalizar palavras são os defensores da PLC 122, como Wyllys.

Ou, então, imaginem o seguinte diálogo:
Juiz – Sr. Jean, o senhor chamou o sr. Bolsonaro de veado?
Jean – Chamei, sim, meritíssimo.
Juiz – Foi para desqualificá-lo que o fez?
Jean – Confesso que sim, meritíssimo.
Juiz – Sr. Bolsonaro, o senhor é veado?
Bolsonaro – Não, meritíssimo.
Juiz – Então não há crime aqui.

Agora outro:
Juiz – Sr. Bolsonaro, o senhor chamou o sr. Jean Wyllys de veado?
Bolsonaro – Chamei, sim, meritíssimo.
Juiz – Foi para desqualificá-lo que o fez?
Bolsonaro – Confesso que sim, meritíssimo.
Juiz – Sr. Jean, o senhor é veado?
Jean – Sou, meritíssimo.
Juiz –
Então, sr. Bolsonaro, eu o condeno por homofobia.

Entre os privilégios pretendidos pelos sindicalistas gays com o PLC 122, estaria o monopólio do direito de chamar seus desafetos de “veados”? A “homofobia” praticada por homossexuais seria ou não passível de punição?

A sessão do Conselho de Ética evidenciou o grau de seriedade do debate. Wyllys pode até ser homossexual” com “H” maiúsculo. Precisa aprender que nem ele tem o direito de ser um parlamentar e de usar um vocabulário com, respectivamente, “p” e “v” minúsculos. Ser veado não desqualifica ninguém, como ele sugere. Mas também não dá direitos especiais a ninguém. Não ainda ao menos.