Perguntas e respostas sobre o acidente que matou Eduardo Campos

G1

O presidenciável Eduardo Campos (PSB) e mais seis pessoas morreram nesta quarta-feira (13) após uma queda de avião na cidade de Santos, litoral de São Paulo. As causas do acidente são investigadas.

Para o piloto George Sucupira, presidente da Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves (Appa), ainda é cedo concluir qualquer hipótese.“É um acidente bem atípico, não temos como prever nada. O avião é de última geração, tripulação muito bem treinada, experiente. Sem a menor possibilidade previsível”, afirmou ao G1.

Veja a seguir o que se sabe e o que deve ser esclarecido:

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Modelo da aeronave

Um Cessna Citation 560XL, prefixo PR-AFA, jato executivo com duas turbinas e 16 metros de comprimento, 5,23 m de altura e 17,17 m de largura, de acordo com o site do fabricante, com capacidade para 9 passageiros. Vale cerca de US$ 9 milhões.

Trajeto
Decolou do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino ao aeroporto de Guarujá (SP). A queda ocorreu em um bairro residencial de Santos.

O avião era seguro?
Segundo a Anac, a documentação da aeronave estava em dia e o jato tinha total condições de operar. O jato era novo, de 2010, com certificado de aeronavegabilidade válido até fevereiro de 2017 e inspeção anual de manutenção que venceria em fevereiro de 2015.

Mortos
Eduardo Campos, quatro assessores, o piloto e o copiloto. Veja lista

Além dos passageiros, alguém mais ficou ferido?
Mais dez pessoas chegaram a ser atendidas em hospitais da região, mas foram liberadas.

O que houve no pouso?
Segundo a Aeronáutica, quando se preparava para pouso, o avião arremeteu (voltou a subir antes do pouso) devido ao mau tempo. Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato.

O tempo estava desfavorável?
As condições de visibilidade, segundo o Inmet, permitiam o pouso. Essas condições são instáveis e podem ser alteradas conforme o piloto se aproxima da pista, segundo especialistas. Cabe ao piloto decidir se a opção mais segura é pousar ou arremeter.

Arremeter é seguro?
Especialistas afirmam que o chamado “procedimento de aproximação perdida”, conhecido como arremeter, é normal em pousos por instrumentos e uma questão de segurança.

O piloto seguiu corretamente o procedimento de aproximação perdida?
A carta de aproximação por instrumentos da Base Aérea de Santos indica que, para arremeter, o piloto deve seguir para a esquerda em curva ascendente, sentido seguido pelo piloto de Campos. Se continuasse reto, iria de encontro à serra.

O que os pilotos disseram antes da queda?
Gravação de áudio obtida pelo Jornal Nacionalmostra uma conversa entre o piloto Marcos Martins com controladores de voo, aparentando tranquilidade, sobre o procedimento de pouso. Ainda pode haver novos diálogos na caixa-preta.

O que dizem as caixas-pretas?
O conteúdo do Voice Recorder, o gravador de voz da aeronave, será analisado em Brasília. No jato não havia o Data Recorder, que grava dados do voo.

O avião se incendiou no ar?
Testemunhas afirmaram ter visto uma “bola de fogo” caindo do céu, mas somente a investigação da Aeronáutica irá determinar se houve um problema no ar. Segundo especialistas, o depoimento de testemunhas de quedas de avião quase sempre é impreciso.

O que pode ter contribuído para o acidente?
Fatores como mau tempo, chuva, vento e baixa visibilidade dificultam as condições de voo e demandam maior atenção do piloto, mas isso não significa que foram a causa. Uma possível pane como causa também só poderá ser determinada pelas investigações.

O piloto pode ter desviado para não atingir áreas movimentadas da cidade?
Pelo que restou da aeronave, especialistas creem que ela “bateu voando”, no jargão aeronáutico. Ou seja, teria havido um impacto muito forte, que não indica o padrão de quem tenta um pouso forçado, gradual, que teria arrasado várias casas no entorno do acidente. O avião atingiu apenas uma casa e abriu uma cratera de cerca de três metros no solo.

É possível saber em que posição caiu o avião?
Pelo impacto, a aeronave despencou, levando de 15 a 20 segundos para atingir o solo. Um termo que tem sido mencionado é o “estol de asa”, ou seja, a queda pela perda de sustentação ligada ao ângulo do avião, provavelmente com as asas na vertical. Apenas as investigações devem concluir se foi essa a posição da queda.

A fuselagem do avião pode dar pistas sobre o que ocorreu?
Apesar de o impacto ter destruído o jato, ainda é possível analisar as peças do avião com perícia especializada, para saber se explodiu no solo, no ar, entre outros.

Pode ter havido pane no motor?
Somente as investigações podem determinar se houve esse tipo de falha. Segundo especialistas, o Cessna Citation pode arremeter com um motor apenas, se o outro falhar.

Um pássaro pode ter atingido as turbinas?
Há urubus na região, mas, mesmo com pássaros na turbina, seria possível o piloto manter a sustentação da aeronave. Casos como o do piloto da US Airways, que realizou um pouso forçado no rio Hudson, em Nova York,, após o avião ter se chocado com um bando de gansos, enfraquecem a hipótese.

Pode ter havido desorientação espacial dos pilotos?
Todas as hipóteses ainda estão sendo investigadas. A desorientação espacial ocorre em condições sem visibilidade, em que o piloto é levado a crer que a aeronave está em uma direção pelos instrumentos, mas está em outra. Nesse caso, poderia tomar uma decisão baseada nessa condição psicológica, que poderia ser corrigida pelo segundo piloto. Uma possibilidade seria o piloto, dentro da nuvem, não acreditar que o avião estava indo para a esquerda, e forçar ainda mais a curva, colocando a aeronave em posição de “faca”, com as asas na vertical, provocando uma queda brusca.

Os corpos foram localizados?
Onze sacos de restos mortais foram recolhidos depois que a cabine do avião foi encontrada pelo Corpo de Bombeiros. Foram encontrados documentos e a carteira de Campos. Como abriu-se uma cratera no local do acidente, as buscas foram feitas com auxílio de retroescavadeiras.

Os corpos foram identificados?
Os restos mortais passarão por exames de DNA e de reconhecimento de arcada dentária no IML de São Paulo antes de serem liberados para as famílias.

Quem investiga o caso?
A Aeronáutica apura as causas do acidente, e a Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito para investigar hipótese de homicídio culposo (sem intenção).