Procuradoria aponta possível crime eleitoral cometido por Tiririca

Folha UOL

A Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo encaminhou ofício à Justiça Eleitoral para adoção das medidas cabíveis contra possível crime eleitoral cometido pelo candidato Francisco Everardo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca.

O Ministério Público Eleitoral se baseou em notícia publicada na revista “Veja”, que informou que o humorista declarou ao TSE não possuir nenhum bem, pois teria colocado todo o seu patrimônio em nome de terceiros, depois de responder a processos trabalhistas de sua ex-mulher.

A procuradoria afirma, ainda, que na consulta à ficha do candidato consta a informação “nenhum bem declarado”.

Pior do que está não fica.

Tiririca é candidato a deputado federal pelo PR em São Paulo. Entre suas propostas, pretende atender o povo do nordeste, que segundo ele, é muito discriminado. Também quer criar incentivos para artistas de circo. Na educação, quer incluir nas escolas atividades como artesanato, canto e costura.

Tiririca tem forte ligação com sua mãe, que incentiva a sua candidatura. Foi ela quem lhe deu o apelido pelo qual se tornou conhecido.

Embora diga no horário eleitoral gratuito que, se eleito, pretende ajudar “inclusive” sua família, Tiririca já foi destaque de páginas policiais em um caso violência doméstica. Em 1998, o palhaço foi levado de camburão à 6º Delegacia Seccional de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, acusado de agredir a tapas Rogéria Mariano da Silva, sua mulher. Mais tarde, ela retirou a queixa.

Confira os melhores trechos da entrevista que a Folha publicou no dia 24 de agosto:

Folha – Por que você decidiu se candidatar?

Tiririca – Eu recebi o convite há um ano. Conversei com minha mãe, ela me aconselhou a entrar porque daria pra ajudar as pessoas mais necessitadas. Eu tô entrando de cabeça.

Sabe o que o PR propõe, como se situa na política?

Cara, com sinceridade, ainda não me liguei nisso aí, não. O meu foco é nessa coisa da candidatura, e de correr atrás. E caso vindo a ser eleito, aí a gente vai ver.

O que você poderia fazer pelos nordestinos?

Acabar com a discriminação, que é muito grande. Eu sei que o lance da constituição civil, lei trabalhista… A gente tem uma porrada de coisa que… de cabeça assim é complicado pra te falar. Mas tá tudo no papel, e tá beleza. Tenho certeza de que vai dar certo.

O que você conhece sobre a atividade de deputado?

Pra te falar a verdade, não conheço nada. Mas tando lá vou passar a conhecer.

Até agora você não sabe nada sobre a Câmara?

Não, nada.

Por que seu slogan é ‘pior que tá, não fica?

Eu acho que pior que tá, não vai ficar. Não tem condições. Vamos ver se, com os artistas entrando, vai dar uma mudança. Se Deus quiser, pra melhor.

Esse slogan é um deboche, uma piada?

Não. É a realidade. Pior do que tá não fica.

Você pretende se vestir de Tiririca na Câmara?

Não, de maneira alguma.

Em quem votou para deputado na última eleição?

Pra te falar a verdade, eu nunca votei. Sempre justifiquei meu voto.

Comentário meu:

Se a moda pegasse,a Procuradoria Regional Eleitoral das 27 Unidades da Federação, fizesse um levantamento dos candidatos que se quer não declararam nenhum bem a justiça eleitoral, inúmeros candidatos teriam a candidatura impugnada.

Aqui no Maranhão, centenas de candidatos sempre omitem seus bens à justiça eleitoral,e nada acontece.Quando declaram os bens, são valores que não condizem com o patrimônio observado no dia-a-dia.

Mas, como dizia o  padre Antonio Vieira, o Maranhão é  o estado do M de mentir: mentir com palavras, com obras, com pensamentos.E mentir ou omitir os bens não vai fazer diferença.