Professor de matemática é suspeito de apologia ao crime em Santos

Enquanto isso um monte de picaretas de políticos saqueiam os cofres públicos e não são investigados (Hilton Franco)

G1

Um professor de matemática de uma escola estadual de Santos, no litoral de São Paulo, é suspeito de fazer “apologia ao crime” por passar aos alunos do primeiro ano do ensino médio seis problemas que citam temas como tráfico de entorpecentes, prostituição, roubo de veículos, assassinato e uso de armas de fogo. Nas questões, o professor pergunta, por exemplo, qual a quantidade de pó de giz que um traficante deverá misturar para ganhar 20% na venda de 200 gramas de heroína ou quantos clientes cada prostituta deverá atender para que o cafetão compre uma dose diária de crack.

O caso foi denunciado à polícia na quarta-feira (16) pelos pais de uma aluna de 14 anos da Escola Estadual João Octávio dos Santos, no morro do São Bento, periferia da cidade. Na última segunda-feira (14), a adolescente comentou com a mãe que não havia conseguido responder um exercício com seis questões aplicado em sala de aula pelo seu professor de matemática. Ao ver as questões no caderno da filha, a mãe se surpreendeu com o conteúdo do texto e decidiu procurar a diretoria da escola.

Na escola, de acordo com o boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) de Santos, o professor foi chamado à sala da diretora, que também estava surpresa com o conteúdo dos exercícios e confirmou que havia aplicado tais questões, escrevendo-as na lousa, mas sem esclarecer sobre os motivos que o levaram a formular o exercício.

O professor disse ao padrasto da vítima que como a jovem não havia respondido as questões em sala de aula como fora orientada não era mais necessário respondê-las.

De acordo com o delegado titular da DISE, Francisco Garrido Fernandes, que instaurou inquérito para apurar a ocorrência, o professor e a diretora da escola já foram intimados e deverão prestar depoimento na próxima segunda-feira (21).

Caso seja condenado por “apologia ao crime”, o professor poderá receber punição de três a seis meses de detenção. “É um delito de menor potencial ofensivo e se o juiz condenar pode aplicar pena de prestação de serviços.” Ele diz não ter conhecimento da existência de criminosos na cidade com os apelidos de “Zaróio”, “Biroka”, “Jamanta”, “Rojão”, “Chaveta” e “Pipôco”, que foram utilizados como personagens nas questões.

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação afirma que, após receber as informações da ocorrência da direção da escola, determinou, nos termos da lei, a instauração de procedimento preliminar para apuração de responsabilidades e também o afastamento do docente.

“Enquanto não houver a conclusão desse procedimento, a administração não dará mais informações sobre o caso, pois terá de atuar como instância de decisão, não podendo, portanto, correr o risco de caracterizar prejulgamento”, afirma o comunicado.

Comentário meu:

Não vi nenhum motivo grave para o professor ser investigado. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais, lançado em 1998 , pelo Ministério da Educação,  diz:

Questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los, utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição, a capacidade de análise crítica, selecionando procedimentos e verificando sua adequação.
 
 
O professor apenas abordou  na prova assuntos pertinentes à realidade de muitos alunos  do Morro de São Bento, no litoral de Santos-SP de forma bem humorada e contextualizada.
 
Errado seria se o mesmo estivesse vendendo drogas , comum em muitas escolas brasileiras e a polícia nada faz. Nada demais, só muita hipocrisia por parte dos que querem condena-lo.

 

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