Professor preso ilegalmente continua em surto na delegacia de Açailândia

Do site do SINPROESEMMA

O professor Abedenego, à esquerda, com colegas de trabalho, em atividades escolares.

Continua dentro da delegacia de Açailândia, em surto psicótico, o professor de física, Abedenego Ribeiro, que foi levado preso e algemado do Centro de Ensino Terezinha de Jesus Coelho Rego, em Itinga, na noite do último dia três, quando dava aula na escola.

Embora a justiça tenha ordenado a soltura do professor, cuja prisão foi considerada arbitrária, diante da violência moral à qual foi submetido, o profissional entrou em surto na delegacia e não há profissionais qualificados na cidade para fazer a remoção do professor para um hospital psiquiátrico.

De acordo com informações do professor Clênio Ribeiro, irmão de Abedenego, o educador está irreconhecível, com medo de sair da delegacia. “Eles conseguiram enlouquecer meu irmão. Ele está com trauma e ninguém consegue se aproximar dele. Precisamos de ajuda para tirar ele da delegacia. Chamamos a ambulância da 192, mas a equipe não conseguiu fazer o resgate. Estamos com medo de uma tentativa de suicídio, pois, transtornado, vê perseguidores em toda parte. Me ajudem, pelo amor de deus”, clama o professor, que também dá aula no Centro de Ensino Terezinha Rego.

Várias pessoas, familiares, amigos e colegas de trabalho estão em frente ao prédio da delegacia à espera de uma solução para o caso. O hospital psiquiátrico mais próximo fica em São Luís, o Nina Rodrigues, que atende casos de emergência de pacientes em surto. O problema, segundo a família do professor, é a dificuldade de remoção.

Segundo denúncias dos professores, o conflito com a direção escola teve início há mais de um ano, depois da greve de 78 dias, realizada pelos professores, no primeiro semestre do ano passado. A partir daí o relacionamento da direção da escola com os professores era de “hostilidade e perseguição”, denuncia Clênio.

Ele conta ainda que o relacionamento da direção com os estudantes também é difícil e que Abedenego é muito querido por seus alunos. Em setembro deste ano, os alunos foram impedidos de fazer uma manifestação pública para denunciar abusos por parte da direção. Em outubro deste ano, um ato de repúdio dos alunos contra a direção em frente à escola, rendeu a suspensão de três professores, entre os quais Abedenego Ribeiro, acusado pela direção de orientar os alunos para o protesto.

Ao terminar o período de afastamento, na noite da última segunda-feira (3), o professor Abedenego retornou para a escola, mas, segundo conta Clênio Ribeiro, os policiais invadiram a sala de aula e o levaram algemado, ainda com o giz na mão, cumprindo ordens da direção, que teria ligado ligou para polícia dizendo que o profissional representava perigo a todos da escola.

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