Professores do RJ mantêm greve e acampam em frente a secretaria

G1

Professores montam barracas em frente a secretaria, no Centro (Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo)

Professores da rede estadual decidiram no início da noite desta terça-feira (12) manter a greve que já dura 35 dias e montar acampamento em frente ao prédio da Secretaria estadual de Educação, no Centro do Rio, pelo menos até quinta-feira (14), quando haverá nova reunião com os secretários estaduais de Educação, Wilson Risolia, e de Planejamento, Sérgio Ruy. Na quinta, é esperada também a participação do secretário estadual de Governo, Wilson Carlos, na reunião com os representantes dos grevistas.

A Secretaria de Educação confirmou a nova reunião na tarde desta terça, após um encontro de uma comissão de grevistas com os secretários. Segundo o coordenador geral do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe), Danilo Serafim, a reunião não chegou a qualquer resultado. Os professores deixaram a reunião aos gritos de “a greve continua”.

Secretários Sérgio Ruy, à esq, e Wilson Risolia, ao lado, durante reunião (Foto: Divulgação/Secretaria estadual de Educação)

O secretário de Educação, Wilson Risolia, disse em nota que está “aberto à negociação e ao entendimento”.

“Desde o início da greve, esta é a quarta vez que recebemos o sindicato. Estamos abertos à negociação e ao entendimento”, disse Risolia.

A categoria pede reajuste emergencial de 26%, incorporação imediata da gratificação do Nova Escola (prevista para terminar somente em 2015), e descongelamento do Plano de Carreira dos funcionários administrativos.

No encontro, o secretário Wilson Risolia lembrou que o governo vem cumprindo os compromissos assumidos com a categoria, inclusive com melhorias salariais, e reafirmou os avanços conquistados até agora.

Mas, de acordo com Vera Nepomuceno, uma das coordenadoras do Sepe que participou da reunião, o governo não apresentou nenhum índice de reajuste para os professores. “Esperamos que o governo se sensibilize. Precisávamos de um índice (de reajuste), mas não foi apresentado. Até o momento foi oferecido muito pouco para a nossa categoria. Disseram que anteciparam parcela do Nova Escola, mas rebatemos que isso não é reajuste”, afirmou, ao deixar o prédio da Secretaria de Educação.

Spray de pimenta

No início da tarde desta terça,  os professores chegaram a  invadir o prédio da Secretaria estadual de Educação, no Centro do Rio. Policiais do Batalhão de Choque entraram no prédio e jogaram spray de pimenta no grupo. Algumas pessoas ficaram com alergia nos olhos. O secretário Wilson Risolia disse que “o episódio era desnecessário, pois sempre houve diálogo com a categoria.”

Em nota, a Secretaria de Educação lamentou o episódio. “A Secretaria de Educação informa que um grupo de professores invadiu o prédio da Secretaria de Educação e quebrou a porta de vidro, forçando a entrada. A Seeduc lamenta a postura dos servidores, e reafirma que está aberta ao diálogo em busca do entendimento pacífico entre as partes”.

Ao sair da reunião de quase quatro horas, Vera Nepomuceno rebateu as acusações. “Não somos vândalos, não somos irresponsáveis, não quebramos nada, não invadimos nada”, afirmou, ao microfone, para os professores que aguardavam o resultado da reunião em frente ao prédio da Secretaria de Educação.

Aulas repostas
No dia 7 de julho, a Secretaria de Educação informou que os grevistas terão de repor as aulas perdidas durante a paralisação. Dessa forma, segundo o órgão, o governo não vai descontar os dias parados. Em nota oficial, a Secretaria informou que a decisão é da Justiça do Rio