Ranking de corrupção coloca Brasil em 69 º lugar entre 175 países

Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia, Suécia e Noruega são os país onde há menos corrupção no mundo

Folha de São Paulo

Apesar de recuperar três posições, o Brasil se mantém no grupo de alerta dos países que não diminuem a percepção de corrupção ao longo dos anos, segundo ranking anual que será divulgado nesta quarta-feira (3) em Berlim pela ONG Transparência Internacional.

O Brasil aparece na 69ª colocação entre os 175 países avaliados, mesma posição alcançada em 2012 –no ano passado, havia atingido o 72º lugar.

Este ano, está empatado com Grécia, Itália, Romênia, Bulgária, Senegal e Suazilândia.

Numa escala de 0 (altamente corrupto) a 100 (muito transparente), o Brasil obteve 43 pontos, apenas um a mais que em 2013, e se mantém entre os dois terços dos incluídos na zona de alerta porque não conseguem superar a faixa dos 50 pontos.

Corrupçao

Em sua análise sobre os dados deste ano, a ONG Transparência Internacional avalia que o Brasil dá sinais de “estagnação” na diminuição da corrupção, assim como outros países da América Latina.

“Pode parecer um bom sinal porque há sempre a possibilidade de agravamento. Mas a realidade é que a estagnação não é uma boa notícia. Isso é bem exemplificado no Brasil e no México”, diz Alejandro Salas, diretor da ONG para assuntos de América Latina.

O México, envolvido em recente assassinato de 43 estudantes, aparece na 103ª colocação e recebe destaque ao lado do Brasil.

“Estes dois países (Brasil e México), em vez de fazer uso positivo de sua influência como líderes geopolíticos, mostram sinais de estagnação e até mesmo atraso, permitindo o abuso de poder e desvio de recursos para o benefício de poucos”, diz Salas.

Ele destaca que, apesar dos passos dados nos últimos anos, em relação à transparência de informação e medidas de combate ao desvio de dinheiro público, “os esquemas de corrupção que envolvem indivíduos, no mais alto nível de poder, e a falta de punição dos corruptos, continuam a prevalecer nas Américas”.

Salas explica que não há uma resposta única para cada país, mas, em sua análise divulgada à imprensa nesta terça (2), menciona o escândalo atual na Petrobrás ao falar do Brasil: “É onde os funcionários corruptos e seus comparsas do setor privado desviaram milhões de dólares para os cofres de partidos políticos e mãos privadas”.

RANKING

O ranking da Transparência Internacional é divulgado desde 1995 e e se baseia em dados levantados por 12 instituições internacionais, entre elas o Banco Mundial, o Fórum Econômico Mundial, o banco africano de desenvolvimento e consultorias como a ISH Global Insight, que estuda 203 países.

Para ser incluído no ranking, um país precisa ter sido avaliado por pelo menos três fontes –no caso, o Brasil foi por sete delas. São analisados, por exemplo, acesso a informação pública, regras de comportamentos de servidores, prestação de contas dos recursos e a eficácia de órgãos. O nível de confiança da pesquisa é de 90%, segundo a ONG.

O Brasil está à frente dos vizinhos Argentina, Bolívia, Paraguai e Venezuela, mas atrás de Uruguai e Chile.

Uma pontuação baixa significa, segundo a ONG, indícios elevados de propinas, falta de punição e omissão das instituições públicas.

Os cinco primeiros colocados são Dinamarca (92 pontos), Nova Zelândia (91), Finlândia (89), Suécia (87) e Noruega (86).

A ONG destaca a piora de países como China, que perdeu quatro pontos, Turquia (menos 5) e Angola (menos 4 pontos). Coréia do Norte e Somália ficaram na última posição, com 8 pontos.