Saiba mais: o terrorismo no Iêmen

Folha de São Paulo

De todos os ninhos em que os terroristas da rede Al Qaeda botaram os seus ovos, sua franquia iemenita é hoje considerada uma das mais violentas e ameaçadoras para seus inimigos, em especial os EUA e a Arábia Saudita.

Chamada de AQAP (Al Qaeda na Península Arábica), essa organização é responsável por uma grave insurgência em extensas porções do território iemenita, tendo planejado dali atentados terroristas como a tentativa de explodir um voo a Detroit no Natal de 2009.

A franquia iemenita da Al Qaeda, apesar do longo histórico de atividades terroristas, foi estruturada em 2009 por Nasir al-Wuhayshi. Wuhayshi havia sido secretário de Osama bin Laden e, em seguida, detido no Irã. Em 2006, ele fugiu da prisão.

A AQAP reuniu militantes dos entornos do Iêmen, pressionados pelas atividades contraterroristas na região. Eles encontraram refúgio no país, uma das nações árabes mais miseráveis. Com o fracasso do governo em se impôr nas regiões mais afastadas, células terroristas esconderam-se em suas montanhas.

Ali, eles resistiram aos anos de repressão iemenita e aos bombardeios americanos com drones, os aviões não tripulados que fizeram fama no país -e, por fim, fortaleceram a Al Qaeda no local.

Quando a reportagem da Folha visitou Sanaa, em 2013, familiares das vítimas dos drones narravam a estratégia da AQAP de reconstruir as casas destruídas e amparar os sobreviventes, aproveitando-se da revolta popular contra os EUA e contra o governo iemenita, que permite as ações americanas.