Sakineh Ashtiani será executada na quarta-feira no Irã, diz ONG.

Folha.com

A iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, cuja condenação à morte por apedrejamento provocou uma onda de manifestações na comunidade internacional, será executada nesta quarta-feira (3), de acordo com a ONG Comitê Internacional contra Apedrejamento.

Informações obtidas pela organização apontam que as autoridades iranianas teriam ordenado a execução na prisão de Tabriz, onde Sakineh está detida.

A ONG convocou um protesto em Paris para esta terça-feira, às 14h local (11h de Brasília), em frente à embaixada iraniana na França, e outro em frente à sede do Parlamento Europeu, em Bruxelas.

O Comitê Internacional contra o Apedrejamento já tinha informado no último dia 11 que o filho da iraniana tinha sido detido pela polícia junto ao advogado de sua mãe e a dois jornalistas alemães que pretendiam entrevistá-lo.

O governo de Berlim confirmou posteriormente a detenção dos dois cidadãos alemães, identificados pela imprensa como jornalistas do jornal “Bild”. Eles foram presos no dia 10 de outubro, na cidade iraniana de Tabriz, onde está localizada a prisão em que a iraniana encontra-se detida.

ACELERAÇÃO

Ainda na segunda-feira (1º) outra ONG, baseada na Itália, já tinha adiantado que o processo de execução de Sakineh poderia ter sido acelerado pela Justiça iraniana.

“Recebemos do Irã informações fundamentadas de uma aceleração dos tempos de execução. Podemos estar na vigília do enforcamento”, afirmou o presidente da associação Refugiados Políticos Iranianos na Itália, Karimi Davood.

Davood explicou que Teerã enviou a Tabriz, a cidade onde estão detidos o filho de Sakineh, Sajjad Ghaderzadeh, e seu advogado, Javid Houtan Kian, uma ordem para não soltá-los até que seja efetivada a pena.

A iraniana havia sido inicialmente condenada a morrer apedrejada, pena que foi suspensa em agosto, mas autoridades anunciaram em setembro que o castigo havia mudado para o enforcamento. Com isso, passaria a valer o crime mais grave pelo qual Sakineh era acusada — de ter sido cúmplice no assassinato do marido.

Logo depois que a informação foi divulgada, o Ministério de Relações Exteriores iraniano rejeitou que a decisão fosse definitiva e garantiu que os procedimentos legais ainda não estavam concluídos.

De acordo com Davood, o que o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad busca é “enforcar Sakineh em segredo e deixar o mundo diante de um fato consumado”, o que causa “grande preocupação”.

A porta-voz do Comitê Internacional contra o Apedrejamento, Mina Ahadi, afirmou que “também nós recebemos indicações deste tipo”. “Haveria uma carta da Alta Corte de Teerã a Tabriz na qual se pede não soltar o filho de Sakineh e seu advogado até que a mulher seja executada”, comentou ela.
Sajjad e Kian foram detidos junto a dois jornalistas alemães enquanto davam uma entrevista, há três semanas. Neste sábado, Ahadi afirmou que o familiar da iraniana estava “isolado em uma cadeia secreta” e vinha sendo “brutalmente agredido pela polícia”. Segundo as últimas informações, Sakineh continua presa

ENTENDA

O caso de Sakineh, de 43 anos, atraiu a atenção do mundo inteiro, em uma campanha que mobilizou inúmeros governos e entidades humanitárias. Considerada culpada de adultério pela Justiça iraniana, ela foi condenada à morte por apedrejamento, mas a pena acabou sendo suspensa no início de setembro.

No final do mês passado, autoridades locais anunciaram o castigo de enforcamento como punição pela participação na morte do marido. A medida foi logo retificada pela Chancelaria do Irã, a qual afirmou que as formalidades legais do processo ainda não estavam concluídas.

Entre os que tentaram intervir estiveram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pediu a libertação de Sakineh e ofereceu-lhe asilo. Em resposta, o governo de Mahmoud Ahmadinejad afirmou que o brasileiro estava “desinformado” sobre o caso.

No dia 5, Sajjad informou à ter pedido a interferência do papa Bento 16 a favor de sua mãe e solicitou asilo político à Itália. Na ocasião, o jovem afirmou que ele e a irmã, Sahideh, temiam ser presos em seu país, e que Kian também corria esse risco.