Sarney reconhece que o Maranhão cresceu na década governada pela oposição

Hilton Franco

A revista Veja desta semana que está já nas bancas, traz uma carta do oligarca e atual presidente do Senado José Sarney (PMDB). O dono do mar tenta se isentar da pobreza que assola o Maranhão durante quase meio século de domínio da família Sarney.

Em um trecho da carta, Sarney reconhece que na década passada, durante os governos de José Reinaldo Tavares (2002-2006) e Jackson Lago (2007-2009), o Maranhão cresceu 46% enquanto que São Paulo crescreu apenas 3%.

O professor Wagner Cabral, do departamento de História da UFMA, afirma no Twitter que Ao mesmo tempo, oligarca nega sua responsabilidade e os efeitos da Lei de Terras de seu governo (Lei no 2979/1969)… ERROU A VERDADE.

O historiador afirma ainda que Sarney se escondeu atrás de Antonio Dino e Pedro Neiva de Santana (já falecidos), transferindo-lhes a responsabilidade pelo conflito agrário.

Num debate sobre os péssimos INDICADORES SOCIAIS do Maranhão, Sarney fala do PIB (Produto Interno Bruto)… ERROU A VERDADE, disse Wagner.

Carta de José Sarney enviada à Revista Veja

José Sarney. Foto:José Cruz/ABr

“Sobre a reportagem “Bem-Vindo ao Sarneyquistão” (29 de junho), abandonando as críticas pessoais, refuto os fatos.

O Maranhão não é o ultimo estado do país. É o 16° (IBGE), e seu PIB é superior ao de Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio Grande do Norte e ao de oito estados mais.

O Brasil é a sétima economia mundial, mas seu IDH (um índice recente que não se pode generalizar como da pobreza de um país) é o 73° colocado, atrás da Albânia, Macedônia e etc. (Pnud 2010).

Não comando o Maranhão há 46 anos. Há 33 não disputo uma eleição no estado (desde 1978). Os governadores que me sucederam foram indicados em eleição indireta pelos militantes de 1964, à exceção de Luiz Rocha, Cafeteira, Lobão e Roseana, que quem conhece sabe que anda pelas próprias pernas e tem liderança forte, que disputaram eleições diretas. Não mandei em nenhum deles.

As leis que permitiram a venda de terras devolutas do estado não são minhas, e sim do governador Antônio Dino (Lei n°3002, de 13 de outubro de 1970) e do governador Pedro Neiva (Lei nº3230, de 6 de dezembro de 1971), que abriram as portas a latifúndio, grilagem e expulsão de posseiros e pequenos proprietários rurais.

Essa política tem minha discordância, e a Lei de Terras que fiz revogada por eles, elaborada por uma comissão que presidia por um notável homem de esquerda, Bandeira Tribuzi, visava justamente ao contrário, ordenar uma estrutura agrária em pequenas propriedades.

Assim, nenhuma responsabilidade  tenho por essa política fundiária que considero ter sido danosa ao Maranhão. O historiador citado por veja, ninguém conhece no Maranhão como tal, e sim como um radical desequilibrado da oposição raivosa.

Se um homem só pudesse tornar estado em pobre ou rico, em cinqüenta anos o mundo seria diferente.

Para finalizar, a renda domiciliar do Maranhão na década passada cresceu 46%, enquanto em São Paulo somente 3% (IBGE).

Assim, o agravo, mais ao Maranhão do que a mim, é fruto de uma campanha feita pelos governos anteriores ao da Roseana, para desmoralizar o estado e atingir-me, nessa repetição absurda da pobreza do Maranhão.

José Sarney
Senador
Brasília DF.”

Clique Bem-Vindo ao Sarneyquistão e (re)veja a reportagem.