Seletivo de Paraibano (MA) tem indícios de fraude e vira alvo de críticas dos candidatos

O processo seletivo promovido pela prefeitura de Paraibano (MA) segue rendendo críticas desde o dia que o edital foi lançado. O seletivo é alvo de muitas reclamações feitas pelos candidatos.

O blog entrou em campo e resolveu publicar as supostas irregularidades do seletivo. Vamos lá.

O edital nº. 001/2017/SEMED/SEMUS/ SEMAS, em seu item 04 previa como critério para ser aprovado e classificado no seletivo a avaliação de pontos dos títulos apresentados pelos candidatos, de caráter eliminatório e classificatório, além de uma famigerada entrevista (?), de caráter puramente classificatório.

De fato, analisar currículo e títulos adquiridos no decorrer de sua vida profissional são critérios objetivos e altamente indicados para classificação e aprovação dos candidatos mais bem preparados.

No entanto, e essa entrevista? Quais os critérios objetivos para avaliação da entrevista? Que perguntas foram feitas? Foram gravadas ou transcritas para posterior controle? Qual a gradação de pontuação de acordo com cada pergunta?

Dizem alguns candidatos que uma das perguntas dos entrevistadores era: o que você está achando ou espera da administração do prefeito Zé Hélio? Sério???? Mais um vacilo e ilegalidade, caso comprovada essa denúncia…

Esse concurso está eivado de vícios, e deixar essa “entrevista” no campo do subjetivismo abre brecha para a contratação apenas de apadrinhados e apoiadores do atual gestor, deixando de lado aqueles que até possuem capacitação suficiente, mas lhes falta o Q.I (Quem Indica). Lamentável!

Segundo denúncias, o vereador Ricardo Xavier (PT) foi flagrado fazendo entrevista. Os candidatos denunciaram que Hérica Pereira Lopes Silva,  aliada do vereador foi aprovada mesmo sem ter o COREN. O vereador Ricardo Campos confirmou que o Xavier fazia parte da banca

O vereador Ricardo Campos (PEN) também foi acusado em um grupo de WhatsApp de ter favorecido aliados. Segundo denúncia, sua mãe, Maria das Graças Queiroz  Campos, foi aprovada para  o cargo de coordenadora da Secretaria de Assistência Social, tendo ainda vários aliados seus aprovados: Fernanda Sousa (namorada), aprovada para agente administrativo, João Gabriel (sobrinho), aprovado para o cargo de advogado e Antônia Lúcia Pereira de Sousa (cunhada), aprovada para o cargo de orientadora social.

O vereador negou que tenha tido influência sua e disse que não participou de entrevistas ou tocou em fichas de inscrição. Disse ainda que até recusou o convite do padre Iran (representante da sociedade civil) para participar da banca de entrevistas.

Outra denúncia é contra os médicos Fábio Barra, Leandro Barroso Barbosa e Waldênio da Silva Souza.

Segundo denúncias,  o médico Fábio Barra (Ortopedista), não pisou no solo de Paraibano para se inscrever e fazer a entrevista. ‘Dr Fábio Barra é médico ortopedista riquíssimo e muito orgulhoso. Jamais iria parar numa fila de sol escaldante’, disse uma fonte. No último dia de inscrição o médico não estava com o diploma. Tudo  foi resolvido por telefone e o médico ficou de apresentar a documentação depois, revelou a fonte.

Já o médico Leandro Barroso Barbosa estava de plantão em Colinas e também não foi ao local de inscrição e assim como Fábio Braga, tudo foi resolvido por telefone.

Outro médico que também não foi visto fazendo a inscrição e a entrevista foi o ex-prefeito de São Joao dos Patos, o Waldênio, aprovado em quinto lugar para médico plantonista. Eram oito vagas.

A próxima denúncia é contra Jarineide Bezerra de Amorim. Segundo a denúncia, a referida candidata nunca trabalhou e não tinha títulos ou certificados conhecidos, muito menos certidão de tempo de serviço. Sabe o que aconteceu? Jarineide foi aprovada em segundo lugar para agente administrativo. “Nunca vi a esposa do Marcio da Play Áudio trabalhando, a não ser em sua própria casa ou na loja do marido”, contou uma vizinha.

De outra banda, a candidata identificada por Itabira Barreto Costa foi aprovada em terceiro lugar para o cargo de professora, sem nunca ter dado uma aula sequer. Ninguém sabe onde ela arrumou tanto título, e isso em detrimento de professores que lecionam há mais de 10 anos, revela a fonte. A Itabira é cunhada de Inara, que fazia parte da banca.  O esposo de Inara também foi aprovado.

Itabira deixou para trás professoras  que lecionam há vários anos, como por exemplo Ana Lúcia Brito Lucena e Ana Paula Pinheiro Rego, que ficaram excedentes.

Os candidatos também relataram outras broncas.

Edital do seletivo

 Tudo foi muito rápido. Divulgação, inscrição, entrevistas, prazo para recursos e divulgação foi meteórico. Todo o cronograma foi feito dentro de 11 dias. Por conta disso, muitos acreditam que o seletivo foi feito nas coxas.

Número de inscritos

A prefeitura não informou quantos candidatos foram inscritos. Um blog local chegou a noticiar que foram mais de 2 mil candidatos inscritos. Faltou transparência.

Filas gigantescas

O seletivo atraiu candidatos de vários municípios e de estados vizinhos. Por conta disso, a estrutura montada foi precária e os candidatos ficaram vários horas debaixo de um sol escaldante. Para garantir lugar, muitos dormiram no local.

Tempo curto e banca de entrevistadores com parentes inscritos

Tempo de entrevista muito curto para a quantidade de pessoas, além do subjetivismo das perguntas, sem qualquer controle ou critério de avaliação. Os títulos não valeram nada, uma vez que todos os inscritos passaram para a segunda fase. Quem tinha três pontos foi para a entrevista do mesmo jeito de quem tinha 10 pontos. Ou seja, fortes indícios de facilitação na entrevista…

Vários secretários eram da banca de entrevista, mesmo tendo parentes inscritos no seletivo. O vereador Ricardo Xavier também fez parte da banca e foi condenado pelos candidatos.

Por conta de tanta irregularidade, o processo seletivo virou chacota na cidade e passou a se chamar escolhetivo, e certamente será questionado pelo Ministério Público Estadual.

Mesmo com tanto indícios de irregularidades, aliados do prefeito e novatos do poder acham tudo normal.

 O blog abre espaço para esclarecimentos de todos.

Foto: Léo Lasan